sexta-feira, 19 de outubro de 2007


Quase 1 mês sem marcas

Gostaria muitíssimo que esse título se referisse ao placar vencedor da não-violência na grande Curitiba mas, infelizmente, esta não é a verdade.

Estamos há quase 1 mês - 3 finais de semana - sem registrar as mortes das vítimas da violência na cidade, para não desrespeitar a lei.
No último dia 23, a guarda municipal apreendeu nossos materiais de pintura, e nos proibiu de continuar pintando os nomes das vítimas. Eles entendem a nossa manifestação como depredação ao patrimônio.

Por outro lado, avançamos bastante em direção ao caminho que acreditamos ser a forma efetiva para reduzir a violência.
Estamos iniciando um movimento no Tatuquara, para atender as principais demandas deste, que é o 5º bairro mais populoso de Curitiba, que possui o maior crescimento populacional e também a renda per capta mais baixa da cidade.

Estamos iniciando uma mobilização de pessoas que tenham interesse em se dedicar à melhoria da condição de vida das pessoas que moram lá.
Isso pode se dar através da educação, do afeto, do patrocínio à projetos já existentes e de idéias. Essas pessoas têm carência de tudo, coisas que para muitos, são básicas do dia-a-dia.
O governo municipal, estadual e federal está presente por lá, com dinheiro e projetos, porém os recursos públicos não dão conta de atender nem 10% das necessidades do bairro.

Se você tem interesse em trabalhar na prevenção à violência, entre em contato conosco e participe como voluntário.
Você vai descobrir que a periferia é um lugar muito legal, e que ajudar as pessoas nos faz sentir muito bem!!!

quinta-feira, 20 de setembro de 2007

Uma análise em profundidade
Comentário deixado no blog ilustra extraordinariamente o próximo passo.

Deixo aqui o comentário de Jean Carlo Ianoski, espetacular por sinal. Ele entende e expressa perfeitamente que apenas alardear com tintas fortes a violência - e aqui essa metáfora cai como uma luva - não adianta.
Nossa intenção ao "pintar a violência" em toda sua extensão realmente foi chocar a população . E digo população pois dizer cidadãos seria exagero já que, infelizmente, apenas uma pequena parcela da população é composta de cidadãos.
E esperamos que desse choque venha uma reação que, gostaríamos, não seja a de procurar por cabeças a serem cortadas nem órgãos públicos a serem cobrados. A reação é individual, de cidadania, de atitude pessoal, de mudança.

Segue abaixo a íntegra do comentário de Jean Carlo, pelo qual agradecemos profundamente.


"Impressiona-me o crescente espaço destinado à violência nos meios de comunicação.
Catástrofes, tragédias e agressões, recorrentes como chuvaradas de verão, compõem uma pauta sombria e perturbadora.
A violência não é uma invenção da mídia. Mas sua espetacularização é um efeito colateral que deve ser evitado. Não se trata, por óbvio, de sonegar informação, mas é preciso contextualizá-la.
A overdose de violência na mídia pode gerar fatalismo e uma perigosa resignação.
Não há o que fazer, imaginam inúmeros leitores, ouvintes, telespectadores e internautas. Acabamos, todos, paralisados sob o impacto de uma violência que se afirma como algo irrefreável e invencível. E não é verdade.
Podemos, todos, jornalistas, formadores de opinião, estudantes, cidadãos enfim, dar pequenos passos rumo à cidadania e à paz.
Os que estamos do lado de cá, os profissionais da mídia, carregamos nossas idiossincrasias. Sobressai, entre elas, certa tendência ao catastrofismo. O rabo abana o cachorro.
O mote, freqüentemente usado para justificar o alarmismo de certas matérias, denota, no fundo, a nossa incapacidade para informar em tempos de normalidade.
Mas, mesmo em épocas de crise (e estamos vivendo uma gravíssima crise de segurança pública), é preciso não aumentar desnecessariamente a temperatura.
O jornalismo de qualidade reclama um especial cuidado no uso dos adjetivos.
Caso contrário, a crise real pode ser amplificada pelos megafones do sensacionalismo.
À gravidade da situação, inegável e evidente, acrescenta-se uma dose de espetáculo.
O resultado final é a potencialização da crise.
Alguns setores da mídia têm feito, de fato, uma opção preferencial pelo negativismo.
O problema não está no noticiário da violência, mas na miopia, na obsessão pelos aspectos sombrios da realidade. É cômodo e relativamente fácil provocar emoções. Informar com profundidade é outra conversa. Exige trabalho, competência e talento.
O que eu quero dizer é que a complexidade da violência não se combate com espetáculo, atitudes simplórias e reducionistas, mas com ações firmes das autoridades e, sobretudo, com mudanças de comportamento.
Como salientou o antropólogo Roberto da Matta, “se a discussão da onda de criminalidade que vivemos se reduzir à burrice de um cabo de guerra entre os bons, que reduzem tudo à educação e ao “social”; e aos maus, que enxergam a partir do mundo real: o mundo da dor e dos menores e maiores assassinos, e sabem que todo ato criminoso é também um caso de polícia, então estaremos fazendo como as aranhas do velho Machado de Assis, querendo acabar com a fraude eleitoral mudando a forma das urnas.”
O que critico não é a denúncia da violência, mas o culto ao noticiário violento em detrimento de uma análise mais séria e profunda.
Precisamos, ademais, valorizar editorialmente inúmeras iniciativas que tentam construir avenidas ou ruelas de paz nas cidades sem alma.
A bandeira a meio pau sinalizando a violência sem fim não pode ocultar o esforço de entidades, universidades e pessoas isoladas que, diariamente, se empenham na recuperação de valores fundamentais: o humanismo, o respeito à vida, a solidariedade.
São pautas magníficas. Embriões de grandes reportagens. Denunciar o avanço da violência e a falência do Estado no seu combate é um dever ético.
Mas não é menos ético iluminar a cena de ações construtivas, freqüentemente desconhecidas do grande público, que, sem alarde ou pirotecnias do marketing, colaboram, e muito, na construção da cidadania.
A violência está aí. E é brutal.
Mas também é preciso dar o outro lado: o lado do bem. Não devemos ocultar as trevas.
Mas temos o dever de mostrar as luzes que brilham no fim do túnel.
A boa notícia também é informação.
E, além disso, é uma resposta ética e editorial aos que pretendem fazer do jornalismo um refém da cultura da violência."
Jean Carlo Ianoski

segunda-feira, 17 de setembro de 2007


Ação na Praça Zacarias
28 marcas para não esquecer tão cedo.

Neste domingo (16/09) fizemos uma nova ação de pinturas. Nela, marcamos os nomes das últimas 28 vítimas da violência na Grande Curitiba. Lembramos, com tristeza, que estas são apenas as vítimas registradas pela imprensa. Sabemos que existem mais, porém não sabemos quem são.
A pintura transcorreu, como das outras vezes, pacificamente. Agradecemos mais uma vez a gentileza e educação da Guarda Municipal que, compreensiva com nosso ato, permititu que tudo ocorresse tranquilamente.
Agradecemos também a presença de todos os que foram ajudar; alguns pintando, outros nos dando o apoio e o conforto de sua presença. Um agradecimento especial à Olinda Teles por sua inestimável ajuda na negociação junto à guarda Municipal. Obrigado Léo e Edi, Renata e Fernanda, Gilda, Djalma e Siça, Carla e Julian; e um agradecimento muito especial à Adriana Oliveira que - sem sequer nos conhecer - chegou com muita vontade de ajudar e botou a mão na tinta.
Esperamos que a população, ao ler os nomes das 28 pessoas que morreram nas mãos da violência, lembrem-se delas como vidas, que foram interrompidas e desperdiçadas por atos que não devemos permitir que se repitam.
Até a próxima.

quarta-feira, 12 de setembro de 2007

Resposta às famílias das vítimas
Falando de pessoas e não de números

Hoje recebemos o primeiro contato de uma das famílias atingidas pela violência. Confesso que senti um calafrio ao ver quem assinava o comentário, pois me senti, como nunca desde que começamos este movimento, próximo da sua realidade .
Corri os olhos pela mensagem, sem lê-la, indo diretamente à assinatura. Ao ler o nome desses familiares, que estão vivos e por isso sofrem; enxergando-os como pessoas donas de uma perda que não tem tamanho, senti pela primeira vez que talvez tivesse errado em usar o nome de seu pai e esposo no nosso movimento. Mas ao ler o conteúdo da sua mensagem me convenci, e acho que definitivamente, que estamos no caminho certo.
Peço licença à família que nos contactou, e publico aqui as linhas que foram deixadas no blog. E aproveito para deixar a resposta que lhes mandei, pois a mesma vale como uma prestação de contas para todas as famílias das vítimas que forem lembradas por nós em nosso movimento.


Mensagem de Carmen Levek
"Julian e Bianca
Parabéns pela iniciativa. Agradecemos a sua forma de carinho e respeito pelas vítimas da violência. Peço que nos avisem, pois queremos participar com vocês desse movimento.
Com muito carinho,
Carmen , Karine ,Kamile e Daniel
(esposa e filhos de José Sérgio Levek)"


Nossa resposta
Olá Carmem,
imaginar qual seria a reação das famílias das vítimas, em especial das que tiveram pinturas em destaque, tem sido algo que ocupou nossos pensamentos desde o primeiro momento. Incapazes de prever qual seria a reação, passamos por cima do receio e fomos adiante, mesmo cientes de que estaríamos usando o nomes de pessoas que eram muito importantes a seus familiares. Fizemos isso pois acreditamos fortemente que essas mortes não podem - e não devem - ser esquecidas. Não queremos encontrar utilidade nelas, mas sim, tentar fazer com que sirvam de exemplo e toquem o sentimento e a consciência daqueles que nunca pensaram em sofrer tamanha perda. Porque Carmem, acredite, um dos grandes estímulos da violência é a indiferença e o descaso.
Ficamos muito contentes em saber da sua aprovação e do seu desejo de participar conosco deste movimento.
E finalmente, certos de que pessoas como nós e vocês andam na mesma direção - ainda que por vezes, em caminhos diferentes -, nos desculpamos por não termos nos comunicado antes e aguardamos a todos vocês de braços abertos.

Um grande abraço,
Julian e Bianca

segunda-feira, 10 de setembro de 2007

Ação na Santos Andrade.
36 marcas, o apoio das pessoas e a cobertura jornalística completa. Obrigado a todos.

Ontem foi a vez de marcar as mortes das 36 pessoas que morreram nos últimos 10 dias. A ação transcorreu de forma tranquila e pacífica. Mesmo a intervenção da Guarda Municipal - já quase no fim dos trabalhos - foi muito educada. Os policiais tiverem uma atitude compreensiva e, com muito tato, nos pediram que não prosseguíssemos pintando. Por isso algumas das 36 marcas não tem seus respectivos nomes. Esperamos voltar logo para completar o trabalho e não deixar que nenhuma morte apareça como apenas mais um número, e sim, nos mostre um ser humano que perdeu a vida.
Durante a pintura, uma equipe da Rede Paranaense de Comunicação apareceu para registrar o trabalho (obrigado Cleiton pelas ótimas imagens).
O resultado foi bastante positivo especialmente por contar com a presença de outras pessoas que apareceram para dar apoio - inestimável no momento da abordagem policial - e ate mesmo para colocar a mão na tinta (Obrigado Camil, Gabriel, Fernando, Ana, Luis, Rita, Gladys, Lamartine, Luciane Gilda e Djalma)
O trabalho no entanto está - infelizmente - longe de terminar. O feriado prolongado deixou um saldo de 29 mortes. No próximo fim-de-se
mana elas estarão marcadas em outro ponto da cidade.

domingo, 9 de setembro de 2007

Repercussão na mídia


[clique na imagem para ampliar e ler a matéria]

Agradecemos fortemente ao jornalista Mauri König por esta matéria.
Reportagem na RPC
{Desta vez somos nós mesmos}

Faz-se tão pouco, que mesmo um pouco de nada vira notícia.


Nossa idéia é marcar TODAS as mortes ocorridas em Curitiba e Região Metropolitana. É triste dizer que será muito difícil pois - as pessoas verão - as mortes são muito mais numerosas do que imaginamos.
Porém, até ontem, só tínhamos marcado duas delas, a de Ana Cláudia Caron e a de José Leveke. NOssa ação, até ontem, era menos do que incipiente, era praticamente nula. No entanto já estávamos na TV. É algo a se pensar... Será que a socidade reage à violência tão passivamente, de forma tão apática, que duas simples pinturas protestando contra o esquecimento instantâneo daquela são o suficiente para gerar interesse na mídia?
Nós torcemos para que no futuro essas reações populares sejam comuns a ponto de não serem notícia.
EM TEMPO: queremos agradecer aos profissionais da RPC a cobertura dada à nossa ação, pois vimos neles uma genuína aprovação aos nossos atos.

sexta-feira, 7 de setembro de 2007

O Silêncio dos Inocentes

Esta eu recebi por email da minha vó. Eu já conhecia, mas é sempre bom lembrar:

"O que mais preocupa não é o grito dos violentos, dos corruptos, dos desonestos, dos sem-caráter, dos sem-ética.
O que mais preocupa é o silêncio dos bons!"

Acostumados com os assaltos

No dia 28/08, o Sr. Ari Ramos, comerciante no Bacacheri, foi assaltado pela segunda vez no mesmo mês. No total, foram 150 mil roubados.
O mais trágico não é o assalto em si, mas o descaso da polícia com o Sr. Ari, que perguntou o que o comerciante fazia com tanto dinheiro vivo, finalizando seu trabalho com um B.O.
Há exatamente 1 semana atrás, o empresário José Leveke sofreu um assalto semelhante, porém sua história teve um final muito mais triste do que a do Sr. Ari. Ao tentar recuperar seu dinheiro, perseguindo os ladrões, morreu com 2 tiros.

É possível que a polícia esteja esperando o nome do Sr. Ari pintado na frente de sua loja, para procurar os ladrões que o roubam com frequência.
Acostumados
com os tiros

Quando tiros de 38 viram música de ninar

Com certeza os amigos da classe média e alta, moradores do centro, batel, água verde, jardim social, champagnat e ecovile, não devem entender o título deste post. E nem poderiam, pois poucas vezes devem ter ouvido um barulho de tiro.

Já na vida dos moradores da CIC, Pinheirinho, Ganchinho, Umbará, Tatuquara, Cajuru, Tanguá e região metropolitana de Curitiba, o título "Acostumados com os tiros" faz todo sentido.
Os moradores da Vila Monteiro Lobato, no Tatuquara, por exemplo, não se assustaram quando José Serafim Leite Júnior, 17 anos, foi morto a tiros ontem. Caído no mesmo local onde os disparos foram ouvidos, o corpo do adolescente foi encontrado somente horas depois, no início da manhã. Um dos moradores da vizinhança acordou com o barulho e viu alguns indivíduos correndo. Porém, quando a rua ficou silenciosa novamente, o homem voltou a dormir.
Esta tem sido a nossa atitude em relação à violência.
Nos chocamos com a notícia durante algumas horas, ou dias - nos casos dos crimes mais brutais como o da Ana Cláudia - e dormimos tranquilamente à noite, dentro de nossos condomínios fechados e cercas elétricas.
Quando vamos agir de fato? Quando acontecer algo a um conhecido, irmão, namorada ou mãe.
Aí, sairemos em passeata, pedindo a alguém (quem será? Deus?) que resolva esta situação.
Não vemos que ao nos acostumar com tiros, meninos fumadores de crack, assassinatos na periferia, assaltos no sinal, e mesmo um baseado "inocente", trazemos a violência um pouco mais para perto.

quarta-feira, 5 de setembro de 2007


Drogas, Brutalidade e Sadismo
Ana Cláudia Caron - 18 anos - Assassinada



Junte viciados em crack, dívidas de drogas, armas e uma vítima casual. Na melhor das hipóteses você terá um assasinato. Na pior delas, um ato de barbárie. E isso não é filme, é a realidade.
A violência ligada às drogas, que até poucos anos atrás ficava restrita à região metropolitana e favelas agora chegou ao centro da cidade. O crack mudou a geografia do crime e espalhou por todas as ruas da cidade viciados que matam qualquer um por qualquer coisa. Para essas pessoas, marginalizadas socialmente, desprovidas de educação e valores, brutalizados e embrutecidos, o respeito pela vida é um conceito inexistente. Porém no assassinato de Ana Cláudia Caron, o que vimos foi uma violência indescritível, produto da ação de um grupo de sociopatas e sádicos, que depois de um assalto frustrado, sequestraram, violentaram e mataram a tiros a estudante.
O crime de assassinato já se tornou uma banalidade, mas mesmo para a população anestesiada e apática, a sequência brutal de fatos que culminaram com assassinato de Ana Claudia gerou dor, revolta e comoção. Talvez por esse motivo, inéditamente, os assassinos rapidamente foram localizados e capturados. Seria bom se isso acontecesse com maior frequência.

Síndrome de Avestruz
Não querer enxergar o que acontece à nossa volta não nos afasta do perigo. Pelo contrário, só nos deixa mais vulneráveis.


A pintura relativa à morte da estudante Ana Claudia Caron foi coberta com tinta branca. Alguém não quis que as pessoas pudessem ver e saber o que aconteceu com essa moça. Ou não, talvez tenha sido apenas um morador injuriado com o fato de ter sua ruazinha pacata discriminada como violenta.
Seja como for, é importante deixar claro que essa pintura foi feita não para demarcar esse local como "perigoso". Não é uma espécie de código de segurança, área de risco, nem nada disso. É apenas uma marca, que apesar de não ser indelével, certamente durará mais tempo do que a memória das pessoas.
Esse é o único motivos dessa e das outras pinturas.
Nós não queremos denegrir vizinhanças, rotular ruas, estigmatizar esquinas... A própria violência não o faz, porque faríamos?
Mas, se a pintura foi coberta porque as pessoas não aguentavam passar por ali e confrontar-se, dia após dia, com o terror enfrentado por aquela estudante - coisa que eu acredito - então o problema é bem maior. As criancinhas de filme fazem isso, entram embaixo da cama e cobrem os olhem. Os avestruzes também fazem algo parecido, enterram a cabeça na areia na esperança de que o perigo desapareça. Mas ele não desaparece, continua ali, olhando para uma cabeça tapada e um traseiro apontado pra cima.

terça-feira, 4 de setembro de 2007

Deu na RPC
Credita-se a amigos aquilo que parece ser impossível de ser feito por estranhos

Hoje, 04/09 o Jornal Estadual, 2a edição, noticiou que uma câmera de segurança flagrou o momento em que o empresário Jose Leveke foi assassinado, na rua Saldanha Marinho. Noticiou também que "amigos" pintaram o meio-fio em sinal de protesto. Gostaríamos de esclarecer que não éramos amigos do
empresário. Somos, sim, cidadãos solidários a ele e à sua família pois abominamos o crime e a violência.

Quando fica difícil engolir tudo e não fazer nada.

31/08/2007 - José Sérgio Levek


Este homem foi assaltado em sua empresa. Levaram dele R$ 7 mil que devem ter custado um bocado pra ganhar. Ele não aguentou e perseguiu os assaltantes em seu carro.
Na rua Saldanha Marinho ele derrubou os assaltantes da moto em que estavam. Eles reagiram e o mataram a tiros.
Conversando com amigos sobre este caso ouvimos com tristeza que este senhor foi um inconsequente, que "nunca deveria ter perseguido os ladrões". Isso é uma transferência infame da culpa. Despejam nele a causa de sua morte. Recriminam e tiram dele o direito de recusar-se a perder para o crime aquilo pelo qual ele trabalhou. Ignoram que ele morreu por algo acreditava, e isso certamente não era o dinheiro.

segunda-feira, 3 de setembro de 2007

Marcar para Lembrar
A violência cresce, inversamente proporcional à nossa memória, que só parece diminuir.
Por que, dia após dia, pessoas são mortas e nada muda? Por que se fala das vítimas da violência só até que elas sejam as penúltimas vítimas? Por que esquece-se tão facilmente daqueles que morreram?

Talvez porque sejam muitos os que morreram e a memória-de-brasileiro não permita ir muito longe com as lembranças - especialmente as desagradáveis. Então, as pessoas ficam indignadas durante o breve lapso de uma manchete de jornal. Depois esquecem.
E talvez essa seja a razão pela qual nada mude. Porque simplesmente todos se esquecem. E foi pensando nisso que resolvemos fazer algo para mudar essa situação. Pintar todos os lugares onde alguém foi vítima da violência.
Mesmo com a chuva, o vento e os carros, sabemos que essas pinturas vão durar mais do que a memória curta e seletiva das pessoas, mas vão durar os suficiente para que dia após dia, muita gente passe por elas e lembre - ou fique sabendo - de que a violência só cresce, ainda que tentemos esquecê-la.